Audiência entre parque e empresário tetraplégico: sem acordo

Gabriela Gonçalves

Do G1 São Paulo

Carlos Magon participa de audiência de conciliação com o Parque Thermas dos Laranjais  (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)Carlos Magon participa de audiência de conciliação com o Parque Thermas dos Laranjais (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)

A audiência de conciliação entre o Parque Thermas dos Laranjais e o empresário Carlos Alberto Magon terminou sem acordo nesta quarta-feira (26). Em junho de 2015, Magnon sofreu um acidente em um brinquedo do parque, localizado em Olímpia, no interior de São Paulo. Na queda, ele quebrou duas vértebras e ficou tetraplégico.

A família briga na Justiça para conseguir ser indenizada. O empresário e representantes do Parque se reuniram na 4ª Vara civil de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

"A família estava muito ansiosa, nervosa por enfrentar o outro lado e o juiz. O Carlos fez questão de ir, mesmo com dor nas costas, nos ombros, é um esforço muito grande essas saídas de casa. Não houve acordo entre as partes, eles encararam com certa frieza esse caso. Quem passa pelo drama é a família", afirmou Eduardo Barbosa, advogado de Magnon.

Procurado pela reportagem do G1, os advogados do Parque Thermas dos Laranjais não quiseram comentar o caso, apenas confirmaram que não houve acordo.

Após reuniões sem acordos, Barbosa entrou com uma ação contra o parque, e o processo continua. Uma nova audiência será marcada. Na época do acidente, a direção do Thermas dos Laranjais disse que prestou toda a assistência à vítima.

Carlos ficou tetraplégico após cair de um brinquedo chamado “bolha gigante”. Segundo o cunhado da vítima, Fábio Henrique Machado, uma pessoa pulou perto do empresário e ele caiu da bolha. Com a queda, as vértebras C4 e C5, que ficam perto da nuca, foram lesionadas.

Empresário Carlos Magon foi acompanhar a audiência de conciliação em São Paulo (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)

Empresário Carlos Magon foi acompanhar a audiência de conciliação em São Paulo (Foto: Gabriela Gonçalves/G1)

Uma das filhas, de 15 anos, viu que o pai não conseguia se mexer e, por isso, começou a se afogar. “Ela não conseguiu tirá-lo da água e dois banhistas ajudaram. O médico informou que isso prejudicou. Ele já deveria ter saído da água numa prancha de resgate”, disse a mulher do empresário, Solange Cristina Machado Magon, de 43 anos.

Ainda de acordo com a família, a direção do parque pagou, durante sete meses, os gastos de serviço "home care", que é o atendimento feito por profissionais da saúde na residência do paciente. Para conseguir este atendimento, a família entrou com pedido de liminar.

Carlos tem uma enfermeira 24 horas e precisa da ajuda de mais uma pessoa. “O cuidado com ele exige sempre duas pessoas. Como eu já tive problemas com quem deveria cuidar dele, nós todas aprendemos um pouquinho de tudo", revela Solange.

Os gastos com fisioterapeutas, cadeira de rodas, reformas na casa, medicamentos, equipamentos médicos e psicólogos para Carlos e suas quatro filhas são pagos pela família da vítima. Para isso, as filhas (com idades que variam de 8 a 23 anos) tiveram de mudar para escolas mais baratas e próximas à casa onde moram.

Edson Aparecido Sertorio ficou paraplégico após cair do brinquedo 'bolha gigante' (Foto: Fabio Tito/G1)Edson Aparecido Sertorio ficou paraplégico após cair do brinquedo 'bolha gigante' (Foto: Fabio Tito/G1)

Outros casos
Cerca de seis meses após o acidente que deixou o empresário Carlos Alberto Magon tetraplégicooutras duas pessoas também sofreram acidentes graves no Parque Thermas dos Laranjais. Edson Aparecido Sertorio, de 53 anos, ficou paraplégico e Gabriel Quedas Dottavio, de 31 anos, sofre de dores crônicas. Os dois moram em São Paulo, onde fazem tratamento para tentar diminuir as consequências das lesões sofridas.

G1 procurou o Parque Thermas dos Laranjais, que preferiu não se posicionar. O advogado do parque não retornou contato.

Edson também se machucou no brinquedo "bolha gigante". No dia 17 de dezembro de 2015, o contador escorregou e bateu com a cabeça no fundo da piscina. “Enquanto eu estava sentado e aguardando socorro, meus braços estavam adormecidos”, conta Edson, que foi resgatado da piscina por banhistas e aguardou sentado pelos socorristas do Parque.

Com a batida, as vértebras c5 e c6 foram lesionadas e Edson ficou sem o movimento das pernas e com problemas nas mãos. “Eu não consigo ter movimento de 'pinça' nas minhas mãos e dedos, não tenho o movimento de pegar as coisas, porque eles estão fracos e rígidos. Eu também não consigo fechar a mão direita”, explica.

Edson conta que não havia placas ou socorristas próximos ao brinquedo na hora do acidente. “Faltou segurança, a piscina é rasa, não tinha pessoas para auxiliar em imprevistos. Se esse brinquedo causa riscos aos usuários, eles devem tomar providência. Pessoas mais aptas devem ficar perto do brinquedo, que haja atendimento rápido e eficaz.”

Gabriel Quedas Dottavio sofreu acidente um tobogã do Parque dos Laranjais (Foto: Fabio Tito/G1)Gabriel Quedas Dottavio sofreu acidente um tobogã do Parque dos Laranjais (Foto: Fabio Tito/G1)

Em setembro de 2015, Gabriel se acidentou em outro brinquedo – um tobogã em que duas pessoas escorregam por meio de uma boia. Ele e a esposa escorregaram juntos e, ao chegar na piscina, o corretor de imóveis bateu a cabeça. No momento da batida, ele sofreu um choque e não sentiu as pernas nem os braços.

Atualmente, a fratura está consolidada e há um achatamento de 70%. Com isso, Gabriel deve tomar cuidados e passou por uma fase de adaptação. Antes do acidente, o jovem jogava futebol, lutava jiu-jitsu e fazia exercícios constantemente. “Hoje eu tenho muitas limitações. Se acontecer um acidente, eu posso perder os movimentos, por isso parei com todas as minhas atividades.”

Gabriel sofre de dores crônicas e, recentemente, um médico constatou a necessidade de uma operação. “Eu tento suportar a dor para não ficar viciado nos remédios. Mas é uma dor muito forte. Como o risco é grande, o achatamento é muito grande, estão considerando fazer a cirurgia. Eu já estou fazendo os exames.”

Atração 'bolha gigante' tem quatro metros de altura (Foto: Divulgação / Site oficial)Atração 'bolha gigante' tem quatro metros de altura (Foto: Divulgação / Site oficial)

A filha mais velha e uma enfermeira cuidam de Carlos Magon (Foto: Marcelo Brandt/G1)

A filha mais velha e uma enfermeira cuidam de Carlos Magon (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Fonte: G1 São Paulo

Link: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/10/audiencia-entre-parque-e-empresario-tetraplegico-termina-sem-acordo.html